quando o cancelamento atrapalha a luta dos trabalhadores
- tartaruga gigante

- 16 de fev.
- 2 min de leitura
Os desafios da classe trabalhadora para sua emancipação e criação da revolução socialista brasileira são imensos.
É preciso desde criar grandes lideranças que nos apontem nortes possíveis, até desenvolver meios materiais para que essa nova organização social se estabeleça.
Já não bastasse o tamanho desse desafio, é bastante comum pessoas de esquerda serem canceladas pelo próprio campo da esquerda e isso pode atrapalhar demais o processo revolucionário.
Obviamente não estou falando aqui para que comecemos a passar pano para preconceitos e desrespeitos entre nossos pares, mas é preciso estar sempre atento aos cancelamentos rasos e mal feitos, pois eles podem muito mais atrapalhar do que ajudar nossa caminhada.
Uma pessoa realmente de esquerda, seja de viés socialista, comunista ou anarquista deve estar sempre em constante aprendizado e fazendo autocrítica para que a vontade revolucionária não se resuma apenas a um discurso bonito, mas que seja uma prática diária de desconstrução de antigas ideias coloniais problemáticas que se transforme numa construção de novas ideias decoloniais apontadas para este horizonte comum que a classe trabalhadora quer construir.
Um exemplo muito interessante deste fenômeno raso de cancelamento (neste caso tentativa, pois o alvo é muito maior do que uma mera vontade de derrota conceitual) é o do Chavoso da USP, quando em meados de 2024, no auge das discussões referentes ao filme “Ainda Estou Aqui”, fez uma crítica super pertinente ao filme.
Na ocasião ele comentou que é sim um filme importante para a lembrança da ditadura empresarial militar brasileira, mas que de um ponto de vista que já foi muito explorado em obras similares, que é a visão da classe média brasileira sobre a repressão dos militares.
Chavoso defendeu a criação de novas obras com pontos de vista distintos, como por exemplo contando histórias dos povos originários, dos negros e/ou da comunidade LGBTQIAPN+ que aconteceram durante a ditadura.
A gente sabe que o regime ditatorial foi ruim para muita gente, mas esquece que para uns foi ainda pior do que para outros.
Ou seja, ao invés de olharmos para essa crítica de Chavoso como um comentário “ressentido” ou que quer “danificar” a “aura” deste importante filme brasileiro (lembrando que foi o primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar), devemos olhar para esse tipo de comentário e nos ater ao que realmente importa.
Chavoso trouxe crítica e profundidade à discussão sobre a ditadura militar, para que jamais esqueçamos as atrocidades que um regime deste tipo são capazes de fazer a uma população, e clama para que tenhamos novos protagonistas deste tipo de lembrança.
Histórias originárias, negras, feministas, LGBTQIAPN+ são essenciais de serem retratadas em obras deste tipo.





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